Como funciona o Websarau?

A dinâmica é simples. Olhar os vídeos, comentar as leituras, indicar aos amigos, aproveitar para ler outros textos disponíveis aqui no blog, e quem sabe arriscar uma participação no websarau também?! Quem tiver interesse em se aventurar, que se manifeste nos comentários e/ou por e-mail (andreiaapires@gmail.com) para combinarmos uma participação. Vale áudio também. Em breve conto de novas estratégias para conhecer Nela Rio…

1. Silencio, por Thaíse Moraes
2. El dolor descobijado, por Leonardo Fernandes
3. El árbol enamorado, por José Roig
4. La brisa, por Maria da Graça Sayão
5. Tango, por Fabrício Marcon
6. Sólo para verte, por Paulo Olmedo
7. Poemas a Leonor de Ovando (I), por Elis Zampieri

Poemas a Leonor de Ovando (I), por Leonor Zampieri

I

Tengo el alma como una caravana
cargada
de pañuelos al aire
llena de adioses y recuerdos
cartas archivadas, puertas sin goznes
memorias que no me pertenecen.
Me desconozco en los pasillos
me encuentro nueva en los recodos
rozo sombras.
Me pasan como a un puente
solamente mío el instante del pasaje.
Trato de retener
la tenuidad que tan rápidamente se deshace
por ver si entre las volutas
escucho las voces
que transitan los folios del archivo.

Me pasan, me pasan
Me pasan, y se van.

Elis Zampieri é escritora (olhe os Rabiscos da Elis) e professora em Curitibanos, Santa Catarina, atua na área da educação especial e edita o blog Sobre educação.

Sólo para verte, de Nela Rio, por Paulo Olmedo

Sólo para verte

“…y si alguien me llama

díle que me he ido”

Alfonsina Storni

Quizás llamara en aquél día
en que sólo tu silencio lo abrazara.
Quizás
volviera al mar, para verte,
sólo para verte,
y caminara turbado la forma de tus pasos.
Quizás concibiera tu nombre escrito en algas
o imaginara tu boca entre azucenas.
Pudiera ser
que te supiera en el sol que tirita en los abismos
y sintiendo la sal deshacerse en su boca
retomara los pasos hasta ahogarse en sí mismo.
Nunca supo, ¿recuerdas?,
que era silencioso el fragor de las olas
y que tú,
con los ojos abiertos,
te echabas a volar sobre la historia.

Tango, de Nela Rio, por Fabrício Marcon

Tango

Música atrevida
se acomoda en las pinturas, roza las paredes,
se desliza por la raya oscura
de la esquina
saborea la luz desvanecida
caída en los reflejos de los vasos,
lame los dedos que los levantan
y la bebe hasta el fondo.

Metida en los labios se deja
tararear.
Humedecida por la lengua
se pega al aliento
se despereza en la garganta,
allí, sedosa, la oscuridad la alude en los ecos
y se enrosca en las cuerdas subiendo y bajando,
frotándolas hasta que gimen su sonido.

Música atrevida, oliendo a café y medianoche
cosquilleando el estómago
penetra honduras cálidas que jadean al compás.

Toda adentro excita, crece,
se expande
quisiera brotar desde donde todos bailan
conscientes de temblores,
y al compás de sí misma, desdoblarse.

Música atrevida, llenándome
de esta pasión  pasiva
anegándome
con presencia de riesgos silenciosos.

Fabrício Marcon é designer gráfico, mexe com música e fotografia, e vive em Pelotas (RS/Brasil).

La brisa, de Nela Rio, por Maria da Graça Sayão

O poema “La brisa” não aparece transcrito aqui, pois não está disponível na web, como os anteriores e não pedimos autorização a Nela Rio para reproduzi-lo por escrito. Acreditamos que a leitura do texto não seja problema… “La brisa” está publicado no livro bilíngue e poemas e contos El espacio de la luz, já tão mencionado aqui no blog Quando Nela Rio.

A Sayão é professora de português e de espanhol, encantada por literatura, mãe, esposa, filha, (ótima)colega e pesquisadora. Uma pessoa especial.

El árbol enamorado, de Nela Rio, por José Roig

El árbol enamorado

¿Por qué esta tarde y esta hora una imagen
entra en mi pensamiento invocando lejanías?

No sé si erguido para tocar el viento que disuelve el tiempo
o como una certidumbre del espacio ya sin bordes,
como un dedo lícito, un árbol reclama
una tarde, una hora, mi mirada tocando sus hojas,
y aquel beso adolescente que ensayé en su tronco.

Te veo ahora. Eras joven, álamo andino,
y yo te había dado un nombre.
Te lo susurré entre las ramas
y te estremeciste como cuando te besaba la brisa.
Leía poemas apoyándome en ti y me cubrías,
sombra amante, y te crecían brazos.

Y ahora, ¿que buscas, enamorado? ¿Mis memorias?
Tu deseo vigilante, ansioso de altura, entra en mí
y juntos formamos la eternidad que buscas.

Quédate en paz en tu paisaje de montañas,
deja que el otoño decida los colores del recuerdo.
Nela Rio

José Roig é escritor rio-grandino e um apaixonado por novas mídias na Educação. Mantém muitos blogs, o mais recente é o educacional Educa Tube.

El dolor descobijado, de Nela Rio, por Leonardo Fernandes

El dolor descobijado
Dedicado a la niña corriendo en la pantalla, que ya no está.
Estallan bombas
las veo yo y todos.

Lleno de agujas
el atardecer cae.

La niña cae
el corazón herido.

Mi verso quiere
tomarnos de la mano
y estar con ella
vos y yo, ella y aquél.
Nela Rio

Leonardo Fernande é Un Brasiliano in Italia.

Silencio, de Nela Rio, por Thaise Moraes

Silencio

He tratado de desvestir cada palabra
abrirla bebiendo su impureza
soñarla de distancias
constelar lo vivido
como una marcha sucesiva
pero la encuentro
como si tuviera sangre
y compusiera mi historia
sin conocerla todavía.
Cada una
emprendiendo el hacer de las memorias,
hormigueando en el borde del vacío,
y yo soltando inmensos días
alisando las palabras dulcemente
doblando las sombras
tropezando en sus cadencias.

Me desvisto de mí misma
me miro con ojos entornados
recupero la blandura del pasaje
y deseo la palabra
entregada como un mapa extenso.
Nela Rio

Thaíse Moraes é um doce e mantém o Perfect Puzzle.

—-

O baixo movimento aqui no blog nos últimos tempos não significa que o trabalho de acompanhar a obra literária de Nela Rio tenha cessado. O caso é que percebi que a maioria dos acessos vinha de fora do Brasil, o que me fez pensar novamente no seguinte: pesquisar a produção da Nela Rio tem sido uma viagem praticamente solitária. Além da minha mãe, do Bruno e da minha antiga orientadora, ninguém mais perto de mim faz a menor idéia do que seja a escrita de Rio. Uma pena, porque é um trabalho encantador.

Pensei em urgências, como a necessidade de estimular um público leitor da obra de Nela Rio aqui no Brasil, e logo pensei que a publicação de uma tradução ao português pode levar anos a acontecer, mas logo pensei também que poderia ser muito interessante elaborar outras estratégias para apresentar a produção da autora aqui por essas bandas. Daí a ideia de um websarau. É. Um u-é-be-sarau.

Websarau?

Exatamente. Na minha cabeça, leitura tem a ver com intimidade, com formas de sentir e de compreender o que está dentro e o que está fora, tem a ver com momento, com instante, com querer. Ler Nela Rio me mudou de muitas maneiras, me fez pular janelas secretas, fazer faxinas interiores, arrumar gavetas íntimas, enfim, me desacomodou de um jeito bom. Meu desejo sempre foi compartilhar essas experiências de leitura, primeiro com as pessoas que eu gosto muito e depois para além, além, além. Importar livros do Canadá para presentear os amigos ainda está fora do meu alcance, então encomendei a pessoas especiais, sensíveis à arte literária e familiarizadas com as manhas da web que produzissem vídeos simples, registros de suas leituras de poemas de Nela Rio, e aqui estão. Lembro que nenhum dos participantes é leitor fluente em espanhol. A intenção do websarau é apresentar um momento tão particular entre leitor e obra, através da atualização de um formato conhecido de socialização da poesia, os saraus.

As pessoas leem. Leem mais do que as pesquisas apontam. Quando comecei a propor as gravações, algumas pessoas recusaram fazer por vergonha, falta de equipamento suficiente na ocasião, pouca vontade. Mas a maioria aceitou na hora e fez com boa vontade. Bastante gente se empolgou e deu retorno imediato dizendo ter gostado dos textos, ter percebido identificações, apesar da diferença da língua. Sinal de que o plano pode dar certo…

Anúncios